Por: Coluna Pelo Estado por Ewaldo Willerding | 08/03/2021

Entrevista

Deputado Estadual, Valdir Cobalchini

O deputado estadual Valdir Cobalchini (MDB), 57 anos, é um político experiente. Parlamentar no quarto mandato, o catarinense de São Lourenço do Oeste assumiu em 2009, mas bem antes já militava na vida pública. Ele foi assessor parlamentar do então deputado federal Casildo Maldaner; diretor geral da secretaria do Oeste; chefe de gabinete do governo Paulo Afonso e secretário da Casa Civil no governo Luiz Henrique. Como toda essa bagagem, Cobalchini se destaca na Assembleia Legislativa, onde é o líder do MDB, partido de maior bancada, e integrante das comissões de Constituição e Justiça; de Saúde; de Educação, Cultura e Desporto; de Turismo e Meio Ambiente; além da de Ética e Decoro Parlamentar. Com autoridade, vê com preocupação a crise provocada pela pandemia e pede diálogo para o momento. “O inimigo é a Covid”, diz.Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, Cobalchini analisa as ações dos governos estadual e federal; considera lento o ritmo da vacinação e aponta um caminho para seu partido nas próximas eleições.

Confira:

[Pelo Estado] – Qual sua avaliação sobre condução do enfrentamento à Covid-19 pelo governo do estado?

Valdir Cobalchini – Todos nós estamos muito preocupados, a situação se agrava a cada dia, não é momento de disputas. O inimigo a ser enfrentado é a Covid, outras disputas devem ficar mais à frente, a prioridade zero é este tipo de enfrentamento. Penso que é momento de consenso, entre os poderes, entidades empresariais, enfim a sociedade. O diálogo tem que imperar e as soluções têm que ser construídas. O poder Executivo tem a responsabilidade maior, mas é o momento de não travarmos nenhum outro tipo de guerra que não seja a guerra contra o coronavírus. A vida nesse momento deve ser tratada como prioridade absoluta. Entendemos as questões da economia, entendo que precisamos proteger os empregos, proteger as empresas, mas esses próximos dias são vitais. Se precisar restringir mais, temos que restringir.

[PE] – Qual avaliação sobre as medidas tomadas nos últimos finais de semana?

V.C. – Acho que é um laboratório, precisamos ao final fazer a análise para ver se elas alcançaram o êxito esperado, tomara que sim. A gente torce que sim. Mas se elas ficarem aquém do que se imaginava, tem que apertar ainda mais.

[PE] – O senhor é a favor do lockdown?

V.C. – Pelo menos ampliar as medidas. Eu sei que a atitude do lockdown não é o caminho, mas talvez ampliar os horários eu sou a favor.

[PE] – O setor produtivo é quem mais critica a decisão por um lockdown. O senhor acha que uma medida dessa tem que vir acompanhada com apoio?

V.C. – Sem dúvida. Eu não estou assimilando o lockdown. Eu estou me referindo a ampliar os horários de restrições já existentes nos finais de semana, mas obviamente precisa de compensação para prejuízos que recaem sobre o setor produtivo. À exemplo do que já aconteceu em nível nacional, penso que o governo do estado tem que ter algumas medidas de proteção às empresas e aos empregados.

[PE] – Qual a sua avaliação do papel do governo federal?

V.C. – Eu acho que talvez não seja o mais adequado. Esse problema existe, não podemos politizar. A eleição só vai acontecer em 2022. Estamos tratando de vidas. A aquisição das vacinas está muito lenta. Se o governo federal não demonstrar que dará prioridade à imunização do povo, com a rapidez que se espera, os estados precisam entrar nessa fila.

[PE] – Santa Catarina recebeu menos do que 500 mil doses. O que o senhor acha desse número?

V.C. – Eu acho lamentável. Se continuarmos nesse ritmo, nem sonhar em imunizar o nosso estado esse ano. Não adianta anúncios de que todos serão imunizados até o final do ano quando não se apresenta um cronograma que nos convença. O governo federal tem feito muito pouco, e o pouco que tem feito é muito lento.

[PE] – O senhor é favorável que a iniciativa privada possa comprar as doses?

V.C. – Eu vejo que a iniciativa privada tem um papel muito importante, tem muitas empresas que também querem imunizar os seus funcionários. As federações já se manifestaram a favor, grandes grupos sediados em Santa Catarina também.

[PE] – Em meio à pandemia, Santa Catarina passou por processos de impeachment. Um já foi arquivado e o outro será apreciado até o final de março. O senhor não acha que isto atrapalhou o enfrentamento ao coronavírus?

V.C. – Nós tivemos uma agenda que não sofreu interrupção. Nós não tivemos problemas dessa ordem. A Assembleia produziu ainda mais em 2020 do que em 2019. Nós não atrapalhamos de forma alguma. Aliás, a Assembleia não provocou nenhum processo de impeachment. Quando alguém, legitimamente, apresenta e protocola um pedido de impeachment, que é analisado pela procuradoria e se entende que apresenta os requisitos legais, a Assembleia precisa responder a isso. Foi o que aconteceu.

[PE] – O como o senhor vê o segundo processo de impeachment.

V.C. – Estou na condição de juiz, já que estou no tribunal misto. Não posso emitir qualquer opinião, sob pena de antecipar qualquer juízo, algo que eu não devo fazer.

[PE] – O MDB decidiu sobre as prévias para a escolha do candidato ao governo. Como o senhor vê esse processo? O senhor é um dos postulantes ao governo?

V.C. – Não, neste momento o meu projeto é a eleição de deputado federal. Mas entendo que o partido deve ter a sua candidatura. O fato de o partido não ter passado para o segundo turno em 2018 não significa dizer que o MDB está, digamos, na segunda divisão. Foi uma eleição diferente de todas as que eu participei, mas penso que as próximas eleições seguirão o que vimos nas eleições municipais. Não há mais espaço para aventuras. O MDB certamente terá bons nomes.

[PE] – O senhor teria algum nome para indicar ao governo do estado

V.C. – Eu defendo sempre o entendimento. O MDB tem três nomes colocados: o presidente do partido, Celso Maldaner; o senador Dário Berger; e o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli. Por que não uma chapa pura? E o entendimento fica para o segundo turno. São três excelentes nomes que podem compor. Uma ao governo, outro a vice e outro senador. É uma hipótese que deve ser considerada, até porque acho que no primeiro turno teremos muitas candidaturas e o MDB, na última eleição, fez 25% dos votos para prefeito. Este é um número muito possível de ser alcançado novamente e até ultrapassado. Nós temos um patrimônio de 30% em Santa Catarina. Mas claro não descarto estarmos coligados com outros partidos, que tenham certa semelhança e convivência. Mas ainda é muito prematuro para tratarmos disso. Não quero gastar energia neste momento pensando nas eleições de 2022, que para mim é um processo que tem que ser discutido mais à frente.

[PE] – Para finalizar, qual o grande desafio que a Assembleia terá neste ano?

V.C. – Nós temos pautas importantes nesse ano, como a reforma da previdência. Não podemos perder esta oportunidade. Hoje temos um rombo de R$ 5 bilhões por ano. Temos que estancar para que parte desses recursos sejam direcionados para investimentos para saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. Vejo como a matéria mais importante que será tratada para o futuro dos catarinenses.