Por: Coluna Pelo Estado por Fábio Bispo | 17/08/2020

Alesc terá informe semanal em veículos de comunicação do interior do estado; convênio vai atingir mais de 150 impressos e distribuir R$ 4 milhões

 

Fortalecer o jornalismo local e levar os acontecimentos do parlamento estadual até cidadão do interior. Esse é o objetivo do novo convênio anunciado entre a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e as associações dos Diários do Interior (ADI) e ADJORI, que compreende também os semanários. Serão R$ 4 milhões distribuídos entre mais de 150 jornais impressos no estado através da publicação de um informe  com notícias da Assembleia. Projeto semelhante já funciona em veículos, como TV e Rádio, e que agora ganhará sua versão impressa.

O objetivo, segundo a diretora de Comunicação Social da Alesc, Lucia Helena Vieira, é aumentar a capilaridade das informações e atos dos parlamentares na imprensa local, atingindo uma faixa maior de pessoas. “Não é publicidade nem propaganda de deputado, é informação”, explica a jornalista.

Em muitas regiões, são os jornais impressos a principal fonte de informação, e também o que demonstra mais confiabilidade ao leitor.

“O jornal do interior ainda é muito importante para o dia a dia das cidades, são eles que têm as informações mais locais. Pesquisas mostram que ainda se confia mais na notícia do jornal impresso que a da internet, por exemplo. Sabemos que existem as dificuldades, e essa parceria com a Alesc vai contribuir tanto para a permanência dos negócios como para qualificar a informação levada ao leitor”, aposta Lenoires da Silva, o presidente da ADI.

 

Matéria prima na fonte

 

Além de levar informação de utilidade pública, discussões em plenário e falar das principais matérias que tramitam no parlamento ao público do interior, o informe, que terá veiculação semanal, em formato de coluna, também servirá de uma espécie de matéria prima para que os mesmos jornais possam repercutir os assuntos nas suas cidades e regiões, formando uma via de mão dupla entre transparência e participação popular.

“Este é um projeto de comunicação, por isso valorizamos esses os veículo s para também contribuir com a atividade jornalística”, diz Lucia Helena. A diretora de comunicação, que passou pelas grandes redações de Santa Catarina sabe que a realidade do jornalismo mudou nos últimos anos. “Nós não temos aquele grande jornal que faça a cobertura de todo o estado. E são esses veículos nas regiões que cumprem esse papel”, emenda a diretora.

Atualmente, a Alesc já mantém uma agência de notícias onde produz releases e informações que são distribuídos pela Assessoria de Imprensa, mesmo assim, a cobertura dos acontecimentos do dia a dia do parlamento acabam se concentrando nos veículos que estão na Capital e com jornalista mais presentes na rotina diária da Alesc.

Aproximadamente 150 jornais impressos do interior estão aptos a receber os repasses do convênio que será gerido pelas duas entidades. Além dos jornais associados à Adjori e ADI, as publicações independentes também poderão se credenciar no convênio. São quatro categorias para adesão e que variam desde periodicidade, abrangência e público alcançado pelas publicações.

“O convênio tende a ser um estímulo para que esses veículos também possam se manter no mercado, ou seja, é uma colaboração financeira para os jornais e de alguma forma aproxima ainda mais os veículos de comunicação das pautas da Alesc. A capilaridade de cobertura dos nossos jornais é muito boa e, com certeza, vai oportunizar à assembleia dar transparência e visibilidade aos atos”, disse o presidente da Adjori, José Roberto Deschamps.

 

O bom e velho jornal impresso

 

O jornal impresso guarda um quê de glamour. As cenas de pessoas com os diários nos trens, nas praças, na mesa antes do café da manhã —o entregador que passa sempre cedinho—parecem tiradas de um imaginário distante. Na verdade, quem acredita que o jornal impresso morreu deve ter sido picado pela mosca azul em alguma fakenews. Em Santa Catarina, com a fragmentação e enfraquecimento dos grandes meios, e o sumiço de outros, os veículos locais ocupam cada vez mais um espaço de maior importância no dia a dia das cidades no interior.

A chegada da internet e a consolidação das TVs relegaram novo papel ao jornal local, assim como ocorreu com o rádio, que não morreu com a TV e que se reinventou com a web.

Prova desse poder que o jornal em papel ainda guarda está na pesquisa realizada pelo Datafolha em março deste ano para medir a confiabilidade dos leitores nas notícias sobre a pandemia. As TV’s e os jornais impressos são vistos pelos brasileiros como mais confiáveis. O levantamento questionou se as pessoas confiavam totalmente, parcialmente ou não confiavam em determinado meio.

No levantamento, o jornal impresso apareceu como com maior confiabilidade para 56% dos entrevistados, seguido pelos programas jornalísticos de rádio (50%), e sites de notícias (38%). Já as redes sociais Whatsapp e Facebook chegam a 12% cada. A TV liderou a pesquisa com 61%.

Coluna Pelo Estado

Edição e textos: Fábio Bispo

Conteúdo e redes sociais: Nícolas Horácio

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