Por: Quirino Ribeiro | 04/01/2021

Nos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes aprovou aumento para US$ 2 mil dos pagamentos federais individuais a famílias com rendimento anual inferior a US$ 75 mil. Em reais vale R$ 10.400, objetivo ajudar o trabalhador norte-americano em apuros para sobreviver estragos provocados pelo novo corona vírus na economia. Já aqui o Brasil, volta a enfrentar o velho dilema entre promover política de combate à pobreza ou controlar as contas públicas. 

CAIXA ECONÔMICA 

Pagou, na terça feira a última parcela dos mais de R$ 300 bilhões do auxílio emergencial destinados aos trabalhadores. Chegou ao fim o calendário do programa do Governo federal lançado em abril para socorrer profissionais autônomos e desempregados afetados pela pandemia. Total, 68 milhões de brasileiros beneficiados com cinco parcelas de R$ 600, que depois caíram para quatro de R$ 300. 

APESAR DA DIFERENÇA

Entre os valores da ajuda entre os dois países, considerando o tamanho da riqueza de cada um, uma coisa é certa: o saldo desse programa de transferência de renda é positivo, e seu fim, aqui no país, irá trazer impactos severos para os mais pobres. Um estudo feito pela PUC-RS mostrou que auxílio emergencial impediu 23 milhões de pessoas das grandes metrópoles caíssem na pobreza. 36% dos que receberam o benefício tinham nessa ajuda a única fonte de renda durante a pandemia, segundo o Datafolha. 

E A REPERCUSSÃO NA ECONOMIA FOI VISÍVEL

As piores projeções de queda do PIB do país só não se concretizaram por conta dessa ajuda do Governo federal, impactando setores como supermercados, materiais de construção e móveis. O ministro Paulo Guedes, tem reafirmado que o Governo só deverá continuar com o programa Bolsa Família. É uma situação difícil para os mais necessitados, pois a economia brasileira ainda está longe de engatar um novo ciclo de alta e, consequentemente, de recuperação do mercado de trabalho. Sem a ajuda, há expectativa de aumento da pobreza. 

A VACINAÇÃO

Mesmo que chegue atrasada em relação a muitos países, não deve permitir que a vida volte ao normal rapidamente. Por outro lado, as finanças públicas estão estranguladas, com queda de receitas de impostos, impedindo avanços nas políticas de transferência de renda. É a velha armadilha de sempre de que o atual Governo, apesar de todas as promessas, até agora, não conseguiu se desvencilhar.

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS

Quem frequentou os supermercados no final do ano viu que tudo subiu nas gôndolas. O Natal passou, mas os preparativos para a ceia da virada de hoje, mesmo com pandemia e isolamento social, exigem compras extras de alimentos e bebidas. Os alimentos, vilões das altas de preços em 2020 preocupa em 2021. 

A DISPARADA 

Pela desvalorização do dólar e a maior demanda no mercado interno e externo atingiu itens essenciais da cesta básica, como arroz, feijão, tomate, batata, leite e derivados, além de óleos e gorduras. Acaba punindo as famílias mais pobres, de baixa renda, que gastam parte importante do que ganham apenas com alimentação. 

ESPECIALISTAS

Dizem que os preços dos alimentos devem dar uma trégua em 2021, mas há expectativa da inflação continuar pressionada por itens que já começam a pressionar preços. Dois grãos importantes na composição da mesa do brasileiro, soja e milho, seguem em alta na cotação em dólar. O alívio no gasto com a comida é importante, boa parcela da população deve ficar sem ajuda para o mês, com o fim auxílio emergencial pago pelo Governo federal fundamental para que as famílias necessitadas passassem a ter um mínimo de renda diante de uma economia em crise e com desemprego. Por isso, diminuir a inflamação dos alimentos é importante. 

ECONOMISTAS

Apontam para um novo foco de pressão inflacionária, que deve vir dos serviços e os preços administrados, cujos reajustes precisam ser autorizados pelo Governo, que incluem tarifas de transporte, combustíveis, planos de saúde e medicamentos, ficaram estagnados em boa parte do ano, mas começam a sofrer mudanças. A energia elétrica já voltou com a bandeira tarifária vermelha que cobra uma taxa extra de R$ 6,243 a cada 100kwh. 

GASOLINA E DIESEL 

Também foram majorados nas refinarias, e aumento deve chegar às bombas já. Em janeiro, reajustes planos de saúde, congelados por conta da pandemia, podem chegar até a 35%. Governo tem que adotar políticas estruturais na economia. Reforma fiscal continua parada no Congresso e, se não avançar, deve ser mais um motivo para pressionar o câmbio os preços e a inflação. Governo tem que agir para que o país consiga começar a crescer num ritmo sustentável, independentemente das questões ligadas à pandemia, ou o trabalhador de baixa renda vai continuar sentando à mesa contando trocados para completar a cesta básica.

“Que nos esperem 366 dias de paz, amor e muita saúde. Feliz Ano Novo”!