Por: Quirino Ribeiro | 03/12/2019

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%. Por isso, foram repassados aos consumidores. Depois de encarecer o fim de ano dos brasileiros, o aumento do preço da carne observado nos últimos meses promete se estender também por 2020 — pelo menos nos primeiros meses do ano.

EM TEMPOS DE DÓLAR ALTO

Vender para o exterior é bem mais atrativo que as vendas nacionais. Em outubro, as vendas de carne bovina para os asiáticos subiram 62% sobre setembro, em um total de mais de 65 mil toneladas. Nesse embalo, o preço do boi gordo no Brasil bateu recordes em novembro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

A RAZÃO PARA O AUMENTO

Envolve, além do fator China, um momento de oferta restrita de bois no Brasil, um tradicional aumento da procura doméstica por carnes no fim do ano e o dólar cotado acima dos R$ 4, que aumenta ainda mais o ganho dos exportadores na hora de converter o dinheiro das vendas para real. A ministra da agricultura, Tereza Cristina, disse, no fim de novembro, “que os preços mais altos vieram para ficar. Neste momento, o mercado está sinalizando que os preços da carne bovina, que estavam deprimidos, mudaram de patamar”.

O INÍCIO DA PESTE

Tudo começou em setembro de 2018, quando a China anunciou que o vírus da peste suína africana havia sido detectado em sua produção de suínos para subsistência. O alerta era grave: a doença, altamente contagiosa e que causa hemorragia nos animais, é de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, com potencial para rápida disseminação e significativas consequências socioeconômicas, segundo informações da Embrapa Suínos e Aves.

EM ABRIL DE 2019

Veio a confirmação de que se tratava de um problema gigantesco: até 200 milhões de porcos poderiam ser abatidos ou mortos por infecção. “Teoricamente este número de suínos sacrificados ainda não foi atingido. Mas não existem dados oficiais”. De outubro para novembro, o preço internacional da tonelada da carne bovina aumentou de US$ 4,47 mil para US$ 4,86 mil, bem mais caro do que era em novembro de 2018, a US$ 3,9 mil.

EMBORA SEJA A PROTEÍNA

Mais consumida na China, nenhum produtor mundial teria capacidade para alimentar os mais de 1 bilhão de habitantes do país com carne suína, e por isso a saída foi migrar as compras para carne de boi. Nesse ramo, os maiores produtores são Estados Unidos, Brasil e Austrália.

O GOVERNO CHINÊS

Continua habilitando novas plantas frigoríficas brasileiras para exportação de carne de aves e de suínos ao país. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) recebeu com otimismo a informação. O Brasil conta com 43 unidades produtoras de carne de frango e 11 unidades de carne suína autorizadas a exportar para a China, o principal destino das exportações de aves e de suínos do Brasil.

“Nenhum homem é bom suficiente para governar outro sem o seu consentimento.”

(Abraham Lincoln)