Por: Quirino Ribeiro | 22/12/2020

Uma epidemia oculta, que exige atenção permanente à saúde psíquica e emocional, principalmente dos trabalhadores da área de saúde. A exaustão e o cansaço físico sentidos por profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate ao corona vírus nas ambulâncias do Samu, nas portas de entrada das unidades de saúde e dentro dos hospitais, os relatos apontam para uma realidade de estresse diário, sobrecarga de trabalho, contato permanente com dor e perdas, medo do contágio e da morte.

VÁRIOS SÃO OS TRABALHADORES 

Que estão com problemas emocionais por estarem lidando com a doença há tanto tempo. Desde março, são quase nove meses de enfrentamento à Covid-19 num cenário adverso, já que a lotação nas unidades de saúde é cada dia maior. Muitos profissionais, inclusive, acabam não suportando a pressão e pedem desligamento de seus postos. 

PROFISSIONAIS 

Da área de psicologia e psiquiatria destacam, contudo, que os afastamentos não podem ser considerados fraqueza profissional. Em geral, os trabalhadores de saúde são treinados e preparados para lidar com situações emocionais limites, mas, quando elas se postergam por muito tempo, é preciso criar mecanismos extras de proteção e cuidado.

ALÉM DAS UNIDADES DE SAÚDE

Já há estudos apontando a existência de distúrbios emocionais e psiquiátricos em outros grupos sociais. Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Unicamp, revelou que quase metade dos adolescentes pesquisados, com idades entre 12 e 17 anos, estavam nervosos, ansiosos e de mau humor. Outros 24% apresentavam problemas para dormir. A falta da escola, a reclusão dentro de casa, a interrupção das atividades físicas e esportivas, a distância dos amigos e o uso cada vez maior de computador estariam contribuindo para o novo estado de ânimo dos adolescentes.

IDOSOS

Outra faixa etária que causa grande preocupação é a dos idosos. Além de estarem no grupo de risco, as pessoas com mais de 60 anos podem ter seu estado emocional agravado pelo isolamento social de longo prazo a que estão submetidos. Muitas acabam tendo que ficar longe da família, aumentando o sentimento de solidão. O ser humano, em sua essência, precisa desse contato com outro, do lugar do encontro, da interação. Por isso especialistas recomendam que os familiares, mesmo que a distância mantenham-se em contato uns com outros, expressando afeto e solidariedade. É preciso cuidado, pois há temor de que uma epidemia oculta, trazendo uma segunda onda de sofrimento aos brasileiros, surja no pós-pandemia.

OBSERVATÓRIO DO AGRO NEGÓCIO

O agronegócio catarinense ganhará mais um diferencial competitivo. O estado contará com um Observatório do Agronegócio, uma estrutura voltada para geração, análise e publicações de informações estratégicas para dar suporte à tomada de decisão às organizações públicas e privadas do setor produtivo. A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural investirá R$ 1,5 milhão para operacionalizar o projeto em parceria com a Epagri por meio do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa).

SECRETÁRIO DA AGRICULTURA RICARDO DE GOUVÊA.

“O Observatório do Agronegócio Catarinense trará uma nova dinâmica para a elaboração de políticas públicas e acesso à informações sobre o setor produtivo catarinense. O projeto irá contemplar diversas áreas do agronegócio, dando suporte não só a Secretaria da Agricultura e suas empresas vinculadas, mas também orientando toda a estrutura da agricultura catarinense. Auxiliando na tomada de decisões mais acertadas e no planejamento estratégico do setor, olhando para o futuro”.

A INTENÇÃO DA SECRETARIA DA AGRICULTURA

É concentrar em um só local as informações relativas à produção agropecuária, mercado, comércio exterior, comércio interestadual, agroindústrias, desempenho do agronegócio, infraestrutura de produção, crédito rural e dados regionalizados. Os índices servirão de base para o planejamento de políticas públicas, novas ações e também poderão ser acessadas por produtores rurais para embasar a tomada de decisões.

O SECRETÁRIO ADJUNTO 

Ricardo Miotto explica que o Observatório irá funcionar com uma central de informações estratégicas para o agronegócio catarinense e que estará disponível para todos. “A ideia é reunir em um só sistema esse grande volume de dados que temos disponíveis na Secretaria da Agricultura, Epagri, Cidasc, Ceasa e no próprio setor produtivo transformando em informações qualificadas para que os gestores e produtores rurais possam tomar decisões mais acertadas, gerando valor para o agro de Santa Catarina”.

O PROJETO 

Prevê a reestruturação técnica do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), com aquisição de equipamentos, capacitação de funcionários e a criação de novos sistemas e aplicativos. A expectativa é de que o Observatório do Agronegócio Catarinense esteja em pleno funcionamento dentro de 36 meses, os primeiros resultados deverão estar disponíveis já em 2021. A construção do Observatório do Agronegócio Catarinense foi aprovada por unanimidade durante reunião extraordinária do Conselho de Desenvolvimento Rural.

AGRONEGÓCIO EM SC

Santa Catarina coleciona os títulos de maior produtor nacional de suínos, maçã e cebola; segundo maior produtor de aves e arroz e quarto maior produtor de leite. O agronegócio foi responsável por 72% das exportações catarinenses no primeiro semestre de 2020 e é a base de 31% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado. Com cadeias produtivas organizadas e focadas na produção de alimentos de qualidade, Santa Catarina tem acesso aos mercados mais exigentes do mundo.

“Sempre parece impossível, até que seja feito”. (Nelson Mandela)