Por: Quirino Ribeiro | 06/12/2019

Brasileiros já sentem no bolso os efeitos da alta do dólar. Nas últimas duas semanas, a moeda disparou e atingiu a máxima histórica do Plano Real. O ápice para a cotação foi no dia 27 de novembro, quando chegou aos R$ 4,25, e a instabilidade continua. O aumento do dólar é responsável por desencadear a elevação de preços de diferentes produtos e serviços, em curto, médio e longo prazos. De acordo com especialistas, a moeda deve se manter acima de R$ 4 também no primeiro semestre de 2020, o que aumenta a preocupação sobre os reflexos na economia nacional.

SETORES ENFRENTAM AUMENTO DE INSUMOS

O impacto da alta do dólar no comércio é sentido, primeiramente, pelos empresários, que percebem o aumento de preços de produtos e insumos importados. O repasse de custos ao consumidor é mais demorado, principalmente, neste momento em que a retomada da economia ainda não aconteceu e as empresas não estão podendo perder as vendas.

EM CURTO PRAZO

O efeito para o consumidor pode ser a falta de produtos. A princípio, o empresário pode optar por não abastecer o estoque. Mas se a alta de preços perpetuar por mais tempo, aí o repasse dos valores é inevitável, pois vários itens sofrem interferência da variação do dólar. É uma lista extensa entre produtos que são importados ou que possuem algum componente importado na etapa de produção. Estamos falando de alimentos como o tradicional pão francês e outros a base de trigo; de eletrônicos; e produtos da área da saúde, dentre outros.

LOGÍSTICA

Desde os combustíveis, as despesas são em dólar. Quanto mais alto o valor da moeda, mais os clientes estudam a possibilidade de comprar produtos no mercado interno. Embora o cenário seja favorável às exportações, este é um trabalho que exige tempo. Não dá para uma empresa que nunca exportou começar este tipo de operação porque o dólar está em alta. Para exportar é preciso estar estruturado, pois há muitas diferenças culturais e de negócios.

AS CAUSAS E OS REFLEXOS NA CADEIA

A instabilidade internacional é o principal motivo para afastar investidores e contribuir para a alta do dólar. Muitos atribuíram esta escalada da moeda à declaração do ministro Paulo Guedes de que a Selic vai continuar caindo. No entanto, isto não seria suficiente para causar este efeito, uma vez que a nossa taxa de juros está em 5%, percentual muito superior à taxa americana, que é de 1,75%. O que acontece é que os investidores enxergam o Brasil dentro do bloco América Latina e não de forma isolada. E estamos passando por momentos turbulentos em vários países.

NESTE PRIMEIRO MOMENTO

Os impactos aos consumidores serão mais brandos. A preocupação é com relação a quanto tempo vai perdurar a alta do dólar. O petróleo, por exemplo, é cotado nesta moeda e isso pode desencadear aumento de custos dos combustíveis. Como transportamos tudo por meio rodoviário, este é um impacto que pode prejudicar ainda mais a nossa economia. Com ela fraca, se tivermos uma alta generalizada de preços, as pessoas vão ficar mais pobres. A verdade é que nós, consumidores, continuemos pesquisando preços e priorizando produtos locais. Isso ajuda no bolso e, também, dinamiza a economia.

GOVERNADOR NO OESTE

O governador Carlos Moisés e o secretário da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo de Gôuvea estiveram em Chapecó ontem, quinta-feira, no Centro de Cultura e eventos Plinio Arlindo de Nes. No ato a entrega de equipamentos para municípios da região seguido de coletiva à imprensa. O maquinário foi adquirido com recursos destinados por emendas da bancada federal. Hoje, sexta-feira, o governador segue para Concórdia e Campos Novos, onde também realiza anúncios e entregas aos municípios.

“Todo homem é o arquiteto de seu próprio destino”. (Salústio)