Por: Quirino Ribeiro | 08/01/2020

Uma potência com faturamento de cerca de 15 bilhões de reais disponíveis por ano, oriundos da venda da energia gerada em conjunto pela estatal brasileira Eletrobrás e por sua congênere paraguaia, a Ande. Dinheiro que, por ter origem em uma companhia binacional, passa ao largo do controle de órgãos como o Tribunal de Contas da União.

CAIXA PRETA DA ITAIPU BINACIONAL                                                          

Reportagem da Revista Crusoé, aponta através de documentos obtidos pela reportagem que a hidrelétrica funcionou, durante anos, como um generoso caixa que bancava mordomias que servia não apenas aos políticos, mas, com alguma diferença, também a altas autoridades do Judiciário. Viagens de ministros do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior do Trabalho, de tribunais regionais federais e de tribunais estaduais.

DESDE 2013

Segundo a revista, a companhia desembolsou pelo menos 16 milhões de reais para eventos jurídicos diversos. O dinheiro que saía dos cofres de Itaipu custeou dezenas e dezenas de passagens em classe executiva para os Estados Unidos e a Europa e hospedagem em hotéis estrelados. Também foi usado para pagar palestras proferidas por magistrados, entre eles ministros do Supremo Tribunal Federal.

TUDO ERA VIABILIZADO

Por convênios firmados por Itaipu com entidades que pediam dinheiro com a justificativa de difundir conhecimento jurídico. A companhia, então, repassava as verbas a fundo perdido. A lista dos magistrados que de alguma forma tiveram despesas custeadas pelos cofres de Itaipu inclui seis dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal: o atual presidente da corte, José Antonio Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski.

TAMBÉM APARECEM NA LISTA

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, e outros 18 ministros da corte. O rol de juízes de primeira instância e desembargadores é ainda mais extenso. Há ainda outras personalidades que, junto com os magistrados, foram convidadas para participar dos tais eventos.

SANTA CATARINA – PROJEÇÃO PARA 2020

O governador Carlos Moisés reuniu a imprensa nesta segunda-feira para fazer uma projeção para 2020. Na avaliação do chefe do Executivo estadual, o ano que se inicia deve ser de entregas para a população, após um 2019 dedicado ao reequilíbrio das contas públicas. Ainda assim, o alerta segue ligado para manter salários em dia e a máquina estatal funcionando.

PALAVRAS DO GOVERNADOR

“Santa Catarina tem uma posição privilegiada dentro do Brasil, mas ainda assim precisamos estar alertas. Estamos pagando dívidas herdadas, de coisas que já foram executadas. Esse ano será um grande teste. Precisamos manter os índices de arrecadação e, em relação aos benefícios fiscais, é preciso que haja um retorno para a sociedade. Tem de ser algo republicano”.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA ESTADUAL

Sobre o projeto enviado ao Parlamento no fim do ano, a expectativa do Governo é que ele seja aprimorado pelos deputados estaduais, porém sem perder a sua essência. Moisés enfatizou que o envio da PEC se deu após um acordo entre os governadores. “Precisamos caminhar para que tenhamos uma Previdência equilibrada até 2030 ou 2035”.

“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela”. (Albert Camus)