Por: Quirino Ribeiro | 22/01/2021

O acesso à vacina contra a Covid-19 só vai ocorrer se o país conseguir superar velhos impasses com os fornecedores, especialmente da China e da Índia. A celebração nacional pela chegada da vacina teve todas as justificativas, pois foi a ponta de esperança que restava à população brasileira afetada pela pandemia do coronavírus e que põe o Brasil em segundo lugar no número de mortes, mas é necessário olhar à frente. 

O NÚMERO DE VACINAS 

Disponíveis atende, hoje, somente aos profissionais de saúde, que, com toda a justiça, estão recebendo as primeiras doses, mas o país ainda não tem meio de atender ao restante da população ante a falta de ações preventivas que deveriam ter sido adotadas. Pelos números de hoje, até boa parte dos idosos terá que esperar.

EMBORA A PANDEMIA

Seja um fato desde o início do ano passado, o Brasil, agora, fica à mercê da boa vontade dos governos da Índia e da China – que devem priorizar os vizinhos e países mais pobres -, a quem o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e familiares do presidente Jair Bolsonaro, por mais de uma vez, fizeram duras críticas. Ambos são os maiores produtores de insumos para produção da vacina.

ESTA SEMANA 

Foi de discussão pela busca de interlocutores que tivessem trânsito para sensibilizar as autoridades chinesas. O chanceler não tem qualquer espaço e muito menos o próprio presidente da República. O vice-presidente Hamilton Mourão se colocou à disposição, mas dificilmente o Planalto vai lhe dar essa missão.

NO BRASIL

A solução tem que ser encontrada pela própria atual gestão, cujo mandato termina só em 2022, sob o risco de, em não o fazendo, deixar o país numa encruzilhada e apartado de várias ações internacionais. O acesso à vacina é uma inquietante mostra, por ter consequências imediatas na população. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem o desafio de desatar esse nó. Em nota, sua pasta disse que tudo que o ministério podia fazer já foi executado, mas isso só não basta. É preciso encontrar a solução para um problema de consequências imprevistas.

NUM MOMENTO COMO ESTE

As demais instâncias também devem abrir mão de suas idiossincrasias e atuar pela causa comum de conseguir o número de vacinas necessário para atender completamente aos mais de 200 milhões de brasileiros à espera de uma solução – e a vacina e a única – para o drama que começou em 2019 e já causou a morte de cerca de 215 mil pessoas.

DIANTE DE CENÁRIO COMO ESSE

Os próprios especialistas chamam a atenção para dois pontos. O primeiro é a necessidade de uma campanha convidando a população a se vacinar. O fato de não haver obrigatoriedade não justifica a abstenção, pois trata-se de uma doença que afeta a todos e todas as condições sociais. O mais importante, porém, é garantir o quantitativo. 

O NÚMERO DE VACINAS

Disponíveis é precário para um país com mais de 200 milhões de habitantes. Os seis milhões disponíveis não atendem sequer as faixas consideradas de risco, profissionais de saúde e indígenas. Se for levada em conta a importância de duas doses, esses números caem pela metade sem levar em conta a natural perda.

O GOVERNO FEDERAL

A quem compete fazer a importação, terá, necessariamente, que sair da sua inércia e buscar apoio no mercado internacional, ao contrário do que vem fazendo ao curso dos meses, brigando contra as evidências. O mundo inteiro está buscando a vacina, o que aponta para uma concorrência global na qual somente aqueles estruturalmente aptos vão conseguir atender a demanda. O Brasil, por enquanto, tem estrutura, mas não conta com vontade política para entrar nesse embate. Ao contrário, resistiu à vacina chinesa e não se interessou pelas outras, o que pode ter sérias consequências no futuro.

FORUM DO AGRO

Com as presenças da Fecoagro, Ocesc, Faesc, Fetaesc, Sindicarne e Aurora Alimentos celebrou a chegada do secretário da Agricultura Altair Silva e se despediu de Ricardo de Gouvêa que agradeceu o jantar festivo dizendo-se honrado com a homenagem da placa recebida da Fecoagro, abraçando a todos e se colocando a disposição no que puder colaborar com o Cooperativismo Catarinense.

 

“Logística é a gestão inteligente da dinâmica de produtos ou serviços, focando sempre na redução de tempo, de custos e no maior nível de satisfação da população”. (Elton Ferreira)