Por: Quirino Ribeiro | 17/12/2020

Estima-se que em 2050 a população mundial estará próxima de 10 bilhões. Para dar de comer a essas pessoas, será necessário expandir a produção de alimentos, o que é possível, mas com sérios riscos ao meio ambiente em termos de poluição, mudanças climáticas, disponibilidade de água e biodiversidade. 

O CRESCIMENTO DAS ECONOMIAS EMERGENTES 

Ao longo das últimas décadas trouxe um mundo de pessoas para o mercado consumidor, em especial para o consumo de alimentos. O crescimento da China dos anos 80 para cá impulsionou, por exemplo, a venda de commodities no Brasil, em especial, a de carne bovina. Enquanto o gigante asiático alcança um crescimento estável, Índia e países da África devem colocar outros milhões de pessoas no consumo.

O DESAFIO PARA O MUNDO 

Será atender o aumento da demanda por alimentos nessas economias em crescimento, impulsionada ainda pelo aumento na população mundial, que deve chegar a 10 bilhões de pessoas até 2050. Apesar do desenvolvimento das tecnologias e da melhora na produção de alimentos, o índice de produtividade da terra entre a segunda metade do século 20 e as primeiras décadas do século 21 não cresceu o suficiente. 

SEGUNDO O BANCO MUNDIAL

A proporção de terras aráveis em 1960 era de 38 hectares por pessoa, com uma população de 3 bilhões. Em 2019, com uma população de 7,6 bilhões, a proporção caiu para 19,6 hectares por pessoa. O drama parece mais vivo do que nunca. A preocupação das autoridades, empresas e para a população no geral é se o mundo vai conseguir aumentar sua capacidade produtiva para atender essa quantidade de gente. E com um agravante: se essa produção será sustentável. Afinal, é preciso produzir sem poluir e sem esgotar recursos naturais.

DESPERDÍCIO

Um terço da produção de alimentos do mundo é desperdiçada e que esse nível de desperdício, que já pesa bastante sobre a segurança alimentar das populações mais desguarnecidas, tende a agravar dramaticamente a escassez de alimentos. Até 2050, além de a humanidade precisar de mais 60% de alimentos do que precisa hoje, para suportar a produção extra precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia.

AGRONEGÓCIO: SETOR SAI SEM SEQUELAS DE 2020

Enquanto diversas categorias da economia brasileira não esperam a hora de 2020 acabar, o agronegócio sai sem sequelas da maior crise sanitária mundial da nossa época. Para se ter uma ideia, a balança comercial do setor registrou superávit recorde no acumulado de janeiro a outubro, com saldo de US$ 75,5 bilhões. A receita com exportação foi de US$ 85,8 bilhões, alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado. As informações foram divulgadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia. 

DENTRE TODAS AS EXPLICAÇÕES

Que justificam os bons números destaco a adesão das tecnologias no campo como uma das principais consequências da pandemia para os agricultores, que foram forçados a reduzir a mão de obra para conter o avanço da doença e ao mesmo tempo precisaram encontrar uma maneira de continuar com a produtividade em ritmo crescente. As notícias são animadoras: segundo uma pesquisa realizada pela Boston Consulting Group (BCG), consultoria global de gestão e estratégia, 45% dos brasileiros que vivem da agricultura e pecuária pretendem investir em automação depois que o coronavírus passar. 

O FATO DAS TECNOLOGIAS

Estarem inseridas no agronegócio não é novidade. No entanto, é indiscutível que o Brasil de 2020 viveu uma verdadeira revolução e impulsionou a chamada Era Digital. Dando um exemplo bastante simples, produtores que faziam parte das famosas feiras de rua, que aconteciam de modo presencial, identificaram novas formas de comercializar suas frutas, verduras e legumes: as plataformas online, que geram dados dos clientes e fazem negócios de um jeito rápido e seguro. Os marketplaces têm assumido um importante papel na evolução do setor e a Covid-19 veio para acelerar tendências. 

ALÉM DOS DRONES

Ferramentas e aplicativos de GPS que já fazem parte da rotina dos agricultores, softwares que permitem que os administradores visualizem a propriedade à distância e tenham informações de todos os departamentos da instituição na palma das mãos, finalmente conquistaram espaço no mercado, tendo em vista que a pandemia evidenciou a importância de uma gestão eficiente. Automatizar tarefas, economizar tempo, dinheiro e reduzir erros humanos é extremamente relevante em momentos de crise e os ERPs estão aí para ajudar os empresários a montarem um planejamento estratégico, tático e operacional. 

DE MANEIRA GERAL

O agronegócio tem muito a comemorar e aqueles que souberem aproveitar as inovações trazidas pelas startups podem chegar à primazia. Honestamente, acredito que os bons resultados obtidos em 2020 devem se repetir no ano que está por vir. Produzir mais com menos recursos naturais e financeiros com o objetivo de suprir a demanda mundial de alimentos é o grande desafio dos últimos tempos, mas com bons procedimentos, soluções de ponta e pessoas qualificadas, o caminho é promissor.  (Fonte: Portal do Agronegócio).

“O melhor tempero da comida é a fome”. (Cícero).