Por: Jornal Sul Brasil | 16/07/2020

As eleições municipais em 2020 têm elementos que a diferenciam de qualquer outro pleito, no Brasil, nos últimos anos. Eleitores indo às urnas em meio à uma pandemia, alguém se recorda? O primeiro efeito do coronavírus foi na data da votação. Marcadas anteriormente para 4 e 25 de outubro, as eleições foram adiadas pelo Congresso Nacional para 15 e 29 de novembro. O vírus também mexeu no trabalho da militância e até na articulação das alianças partidárias, ainda assim, possíveis candidatos a prefeito estão focados na pré-campanha.

Tudo é online e alguns gostam de fechar o dia com uma live. Santinhos durante a campanha? Provavelmente no Whatsapp. A atmosfera das eleições municipais em 2020 é totalmente nova. Em Santa Catarina, a disputa partidária promete aglutinação da esquerda com a centro esquerda e fragmentação na direita, centro e centro direita.

Candidatos a prefeito e apostas dos partidos em SC

O PSL, partido do governador Carlos Moisés – eleito na onda bolsonarista – chega desconfigurado nas eleições municipais. Depois que Bolsonaro deixou a sigla, tudo mudou em Santa Catarina. Moisés, inclusive, se afastou do presidente e, aos poucos, perdeu apoio dos deputados estaduais do próprio partido e dos aliados na Assembléia Legislativa. Além disso, ele enfrenta a crise decorrente da compra ilícita de respiradores, no valor de R$ 33 milhões. Com isso, é mais provável que o governador apenas assista às eleições.

Outros nomes do PSL, entretanto, podem disputar as eleições na sigla e acompanhar o presidente depois que ele criar seu novo partido. É o caso de Jessé Lopes (Criciúma) Carolina de Toni (Chapecó) e Ricardo Alba (Blumenau). Os três podem medir a força do bolsonarismo em um contexto político totalmente novo no Estado. Além deles, o jornalista Gonzalo Pereira desembarcou do governo Moisés e do comando da Secom para lançar candidatura em Florianópolis.

O PL está crescendo no Estado sob a liderança do Senador Jorginho Mello e vem forte nas eleições municipais. Na tentativa de entrincheirar o projeto para ganhar o governo em 2022, Jorginho fará algumas apostas com candidatos a prefeito. Na capital, sua cartada é o vereador mais votado na história da cidade, Pedrão. Em Blumenau, Ivan Naatz, deputado estadual em primeiro mandato e ex-vereador na cidade.

O PSD, partido do presidente da Assembleia, Julio Garcia, e do ex-governador do estado, Raimundo Colombo, ainda parece desorientado após as eleições de 2018. Canais digitais, como site e Facebook do partido em Santa Catarina, estão mais que desatualizados, ainda pedindo voto para Merísio contra Moisés. O partido tenta reeleger Antonio Ceron (Lages) e vencer também com João Rodrigues (Chapecó). O partido também aparece como vice do candidato à reeleição do tucano Clésio Salvaro (Criciúma).

O Novoquer surpreender nas eleições de 2020 em Santa Catarina. Em Joinville, testa o ex-Promotor de Justiça Odair Tramontin. Na capital, o advogado Orlando Silva.

O PPvem com Ângela ou João Amin na Capital. “Eu sou um dos pré-candidatos do meu partido. A candidata que é unanimidade é a dona Ângela, agora tem que saber se ela vai ser candidata ou não”, disse João Amin.

O MDBestabeleceu uma meta ousada: eleger 120 prefeitos e, no mínimo, mil vereadores no estado. No contexto da pandemia, o partido vai lançar candidatos a prefeito que são médicos. Entre eles: Dr. Anibal (Criciúma), Dr. Antonio Miranda (Florianópolis), Drª. Lisiane Anzanello (Blumenau).

O DEMvai tentar permanecer no comando da capital, com Gean Loureiro disputando a reeleição. O ex-deputado estadual Patrício Destro pode ser candidato a prefeito (Joinville) e João Paulo Kleinubing ainda não confirma, mas é o candidato natural do partido em Blumenau.

O PTvai disputar com Pedro Uczai (Chapecó) e Ana Paula Lima (Blumenau). Os demais partidos de esquerda, PDT, PSOL e PCdoB estão juntos em praticamente todos os grandes colégios eleitorais de Santa Catarina.

O PSDB vai disputar com o vereador Rodrigo Fachini (Joinville). O empresário Dilmar Antônio Monarim (Lages) também é um dos candidatos a prefeito dos tucanos. Além disso, Clésio Salvaro (Criciúma) tenta se reeleger. Candidato derrotado por Moisés no segundo turno de 2018, Gelson Merísio está no PSDB e o partido também deve tentar erguer palanques para ele em 2022.

A reportagem ouviu lideranças dos principais partidos no estado a fim de saber suas apostas e os candidatos a prefeito nos maiores municípios de Santa Catarina. Veja, a seguir, como pode ser a disputa na majoritária em Joinville, Blumenau, Florianópolis, Chapecó, Criciúma e Lages.

Chapecó

Em Chapecó, Luciano Buligon (PSL) não pode se reeleger. Seu partido pode lançar a candidatura da deputada federal Carolina de Toni.

João Rodrigues (PSD) vai voltar às urnas, em 2020, tentando ser prefeito de Chapecó novamente. Ele exerceu mandato na cidade de 2004 a 2010. O PSC de Narcizo Parisotto pode figurar como vice.

O PL está propenso a lançar o vice-prefeito Élio Cella. O MDB vai lançar o vereador Cleiton Fossá. O PSB confirmou a pré-candidatura de Claudio Vignatti. O DEM apresentou o nome do empresário Cidnei Barozzi, ex-presidente da Associação Comercial.

O PT vai de Pedro Uczai, que já foi prefeito da cidade. Novamente há uma tendência de composição com a esquerda, porém, o PSOL lançou a pré-candidatura de Antonio Campos.