Por: Jornal Sul Brasil | 29/11/2020

Segundo dados da Federação Internacional do Diabetes (IDF) publicados em 2019 mais de 16,8 milhões de brasileiros são portadores de diabetes mellitus. Trata-se de uma doença crônica, silenciosa caracterizada pela elevação da glicose (açúcar) na corrente sanguínea levando a hiperglicemia. O fato de ser silenciosa, além de elevada prevalência, justificam a tese de que grande parte dos portadores desconhecem o diagnóstico, o que traz muita preocupação aos profissionais de saúde.

O Brasil ocupa o 1º lugar no ranking de prevalência da patologia da América Latina e figura na 5ª posição mundial. Para esclarecer dúvidas sobre a doença, a Medicina Preventiva – Espaço Viver Bem – da Unimed Chapecó promoveu, nesta semana, Live Diabetes com a endocrinologista e médica cooperada Dra. Fabiana de Souza Barcala. A iniciativa faz parte da campanha “Cuidado Infinito” da cooperativa médica e também marca o “Novembro Diabetes Azul”, criado para fomentar ações e discutir sobre esse grave problema de saúde pública.

A médica explicou sobre os principais fatores de risco, as possíveis complicações e o impacto da mudança de hábitos de vida para os pacientes com pré-diabetes ou com o diagnóstico manifesto. “Existem dois grandes tipos, pois os outros são mais raros, além da diabetes mellitus gestacional. A diferenciação é muito importante, sendo o tipo 2 o mais comum, acometendo principalmente pessoas a partir dos 40 anos de idade. Contudo, temos observado um crescente número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 decorrente dos níveis crescentes de obesidade, inatividade física e má alimentação. Já o tipo1, corresponde a 10% dos casos, possui origem autoimune (produção de anticorpos contra o pâncreas), levando a destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, ocorrendo principalmente em crianças e adolescentes”, comentou.

Os pacientes na fase pré-diabates estão submetidos aos mesmo riscos a longo prazo do que as pessoas com o diagnóstico estabelecido. De acordo com a Dra. Fabiana, com a mudança do estilo de vida é possível retardar as complicações ou evitar o estabelecimento da doença. “Para o rastreamento precoce é necessário reconhecer alguns fatores de risco como histórico familiar (porque tem um componente genético); faixa etária (a partir dos 40 anos); sobrepeso ou obesidade; mulheres que tiveram diabetes gestacional ou com filhos acima de 4 kg; história de hipertensão arterial; diagnóstico de pré-diabetes; elevação do colesterol e dos triglicerídeos”, ressaltou.

As principais complicações são micro e macrovasculares. Segundo a profissional, as complicações microvasculares referem-se ao acometimento ocular conhecido como retinopatia diabética, que podem ou não ocasionar cegueira. Outra complicação possível é a neuropatia diabética periférica que pode causas sintomas como: formigamento, diminuição da sensibilidade dos pés podendo evoluir para o pé diabético e amputação, além da nefropatia diabética, alteração renal que leva a dificuldades na filtração do sangue, ocasionando perda progressiva da função renal, determinando a necessidade de terapia renal substitutiva (hemodiálise).

As complicações macrovasculares representam a principal causa de morte e compreendem as doenças cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio, AVC). “Infelizmente a presença de diabetes mellitus aumenta em pelo menos duas a quatro vezes o risco de incidência de doenças cardiovasculares, além de torná-las mais graves”, alertou a médica. “O acompanhamento dos pacientes vai além do controle glicêmico e deve estar voltado também a prevenir e tratar as doenças cardiovasculares”.

Outra preocupação é com relação à obesidade. Os hábitos de vida levam ao maior consumo de alimentos ultraprocessados, aqueles produzidos pela indústria com a adição de múltiplos ingredientes como, por exemplo, açúcares e gordura hidrogenada com o objetivo de torná-los mais palatáveis e com maior durabilidade. Dessa forma esses alimentos acabam por conferir estímulos que os alimentos in natura não conseguem ofertar: o “hipersabor”, ativando diretamente o sistema de recompensa cerebral (fica muito mais fácil de perder o controle e ingerir em maior quantidade”, argumentou a médica.

Segundo a médica endocrinologista, o diagnóstico e o tratamento precoce impactam muito para evitar a progressão e o surgimento de complicações. Como toda doença crônica, o desafio do bom controle envolve motivação, acesso às informações com embasamento científico e seguimento multiprofissional. “Focar em uma vida ativa e saudável deve ser a meta de todos os que buscam qualidade de vida”, finalizou.