Por: Jornal Sul Brasil | 20/11/2020

Muitos ainda confundem Amor com passividade ou impunidade, quando o seu significado é exatamente o contrário. Ora, é inconcebível haver sociedade justa sem que ela receba a sacrossanta iluminação do Mandamento Novo do Divino Legislador, Jesus. Por simples dedução ou pela mais pura lógica, aquela que não se nega a reconhecer a existência de uma Sabedoria acima de todo o conhecimento terrestre, notamos que o Cristo Ecumênico, Estadista por excelência, preocupou-se em revelar Sua Instrução Máxima em forma de Lei, para estabelecer ordem: “Amai-vos como Eu vos amei (Evangelho, consoante João, 13:34).

Somos, então, colocados diante do maior de todos os Seus preceitos, a base da Constituição Legal do Cosmos.

Ele igualmente outorgou regulamento à Lei: “Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos (Evangelho, segundo João, 13:35, conforme a Bíblia de Jerusalém).

Logo, devemos imediatamente relacionar a acepção de Justiça à de Amor. No entanto, falo-lhes daquela inspirada nos ditames superiores, que não podem ser tomados pelas barbaridades exercidas em nome do Pai Celestial e do Direito, no decorrer dos milênios.

 

Fraternidade, Disciplina e Justiça

Escrevi, em Sociologia do Universo, que devemos ser piedosos; contudo, comprovado o delito, cumpra-se a lei (lei justa, é claro), visto ser a impunidade sepulcro para as nações.

O intrépido Montesquieu (1689-1755) é quem observa: “Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa”.

Contra a injustiça devemos incansavelmente lutar com as armas do Mandamento Maior de Jesus (João, 13:34 e 35), posto que, como no ensinamento de Confúcio (551-479 a.C.), consignado por seus seguidores: “O objetivo do castigo é dar um fim ao próprio castigo”.

O Amor nunca pode ser encarado como algo frágil. Do contrário, Gandhi (1869-1948) não concluiria que: “Se um único homem atingir a plenitude do Amor, neutralizará o ódio de milhões”.

Tenhamos, pois, sempre em mente que a Fraternidade é a Lei. A Ética, a sua disciplina. A Justiça, a aplicação. Ninguém mais infeliz do que o indigente da Fé e da Caridade.

 

O direito de defesa

Num improviso que proferi na cidade do Rio de Janeiro/RJ, declarei que a Justiça Divina é equanimemente a expressão verídica do Amor, que, por isso mesmo, tantas vezes, educa com severidade, não com maldade.

Aqui um esclarecimento se faz imprescindível: não nos esqueçamos daquela lição iniciática que o Irmão Zarur pôs como Sétimo Mandamento dos Homens e Mulheres da Boa Vontade de Deus:

 

— Perdoar é transferir o julgamento à Lei de Deus. Mas o Pai não proíbe que Seus filhos se defendam dos maus.

 

O amadurecimento nos irá revelando essa Augusta Face do Pai Celeste, a qualidade pedagógica de Seu Amor e de Sua Justiça aliados.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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