Por: Jornal Sul Brasil | 14/04/2020

Em portaria publicada na última sexta-feira dia 10, o Governo do Estado regulamentou a realização de feiras e leilões virtuais de bovinos no período de quarentena em Santa Catarina. Pela primeira vez no Estado, os organizadores transmitirão os eventos on-line, seguindo diversas recomendações para evitar aglomerações e diminuir os riscos de contaminação com o Coronavírus.

A medida atende demanda da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc) para assegurar a comercialização de terneiros que estavam retidos nas fazendas devido à suspensão das feiras agropecuárias durante a pandemia.

 Entre as regras estabelecidas pela portaria 242 estão o uso obrigatório de máscaras para todas as pessoas que trabalharão nos leilões e nas feiras e o distanciamento mínimo de um metro e meio. A visitação dos animais nos recintos de leilões também deverá ter agendamento prévio por lote, com controle de acessos para evitar aglomerações, além da disponibilização de álcool em gel 70% em locais estratégicos para higienização. Os estabelecimentos devem, ainda, fixar cartazes informativos com orientações sobre higiene das mãos, etiqueta respiratória e normas de precauções.

A portaria também estabelece que no horário programado para recebimento ou carregamento dos bovinos só será permitida a presença do motorista do caminhão e de um proprietário ou responsável pelos animais. É proibida a presença de público e de compradores no recinto de leilões e os trabalhadores devem ser orientados a intensificar a higienização das mãos. No caso de locais fechados, os organizadores devem manter todas as áreas ventiladas e desinfetar com álcool 70% maçanetas, mesas, corrimões, interruptores, banheiros e lavatórios.

 De acordo com o vice-presidente de finanças da Faesc, Antônio Marcos Pagani de Souza, que coordena o programa de pecuária de corte, os leilões virtuais serão organizados pelos Sindicatos Rurais e empresas leiloeiras a partir do dia 23 de abril e devem aumentar as vendas dos bovinos, com valor agregado em todo o Estado. Segundo ele, os animais têm idade média de oito meses, pesam em média 200 kg e são predominantemente de raças britânicas e continentais.

Pagani explica que os lotes de terneiros serão filmados nas fazendas ou nos recintos dos parques de exposição e as imagens serão transmitidas pela internet durante o leilão virtual.

“É algo inédito em Santa Catarina, com expectativa de aumento nas vendas, já que as transmissões serão para todo o Estado, com a possibilidade de o comprador fazer o negócio em casa. Por outro lado, por ser uma modalidade nova, não sabemos quantos produtores irão aderir aos leilões virtuais. Será um teste para o setor”, avalia Pagani ao destacar que além dos leilões virtuais, os pecuaristas também seguem com vendas diretas nas propriedades rurais. O dirigente da Faesc ressalta que a crise do Coronavírus provocou queda nos preços dos animais, porém a expectativa é de que com a retomada dos leilões o mercado seja aquecido e os valores reestabelecidos.

Para o presidente da Faesc José Zeferino Pedrozo os leilões virtuais são uma conquista do setor e um avanço para a agropecuária catarinense. “É uma modalidade nova em Santa Catarina, que em outros Estados já é uma tradição. Passa a ser uma aposta do setor que precisou inovar na crise. Analisaremos agora como será a recepção dos produtores e quais serão os resultados para o Estado, cientes de que a medida foi fundamental para assegurar a comercialização do rebanho”, sublinha.