Por: Jornal Sul Brasil | 02/04/2020

Os segmentos mais sensíveis aos efeitos econômicos do novo Coronavírus são aqueles onde normalmente se dá uma maior interação presencial com os clientes, como alimentação fora do lar, moda, varejo tradicional, construção civil, logística e transportes, peças automotivas, setor turístico, economia criativa (shows, teatros etc), serviços de beleza, entre outros, grande parte pequenos negócios, mais sensíveis à queda de consumo. A análise é do Sebrae Nacional e mostra que 583.073 pequenos negócios de Santa Catarina serão impactados diretamente, o que corresponde a 74% dos negócios.

Preocupada com essa situação e com a sobrevivência das empresas, a Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) sugere que a comunidade compre dos micro e pequenos negócios. De acordo com o presidente da entidade Nelson Eiji Akimoto, durante a crise é importante continuar apoiando as empresas locais, tanto para a sua sobrevivência, quanto para o desenvolvimento socioeconômico. “Sabemos que todos estão com dificuldade, mas podemos dar preferência ao negócio do nosso bairro, contribuindo para que mantenham os empregos, não atrasem salários e consigam cumprir com seus compromissos. O momento é delicado, mas juntos poderemos passar por ele e sair fortalecidos”, realça.

Segundo o Observatório FIESC um grupo de trabalhadores muito impactado diz respeito aos microempreendedores individuais (MEIs). De acordo com o Portal do Empreendedor, em 2019 foram registradas 406 mil empresas MEI em Santa Catarina e, desse total, 72% pertenciam ao setor de serviços e 28% à indústria. Lideram a lista de MEIs no Estado os segmentos de cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza (39 mil empresas), comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (29,5 mil empresas) e serviços especializados para construção (26,9 mil empresas). Essas deverão ser as atividades econômicas mais atingidas pelas medidas de restrição utilizadas para conter a disseminação de contaminados pela Covid-19. Os trabalhadores informais eram aproximadamente 1,015 milhão no final de 2019 no Estado, enquanto no Brasil eram de quase 38 milhões.

Akimoto enfatiza que, apesar das entidades manterem diálogo com os Governos para que sejam adotadas medidas que contribuam com os empreendedores, cada pessoa pode colaborar. Tanto os setores formais quanto os informais passarão por dificuldades nos próximos meses, enquanto o período de contaminação pelo Coronavírus se mantém. “Embora os Governos Federal, Estadual e Municipal estejam adotando algumas ações para trazer maior movimentação à economia por meio de isenções fiscais e adiamento de pagamentos de impostos, ainda não tivemos todo o apoio necessário, principalmente dos governos federal e estadual. Mas não podemos esperar só por eles, por isso, é papel de cada pessoa avaliar de que maneira pode contribuir. O momento exige cautela e precisamos estar cada vez mais unidos, enquanto entidades, governos e como cidadãos, criando uma rede de apoio aos negócios locais para que os pequenos possam se fortalecer e para que todos possam superar esse momento”.

O dirigente salientou que a ACIC tem trabalhado e se posicionado para que todo o comércio e negócios voltem gradativamente, pois a situação econômica está muito preocupante, principalmente para as pequenas e microempresas. “Estamos buscando apoio junto aos governantes, federações e outras entidades empresariais para unir forças e tentar agilizar os pleitos”, finaliza Akimoto.