Por: Jornal Sul Brasil | 03/11/2020

Fazem 10 anos que foi iniciada a formulação do projeto de ampliação do abastecimento de água para quatro cidades da região. Fazem, ainda, cinco anos que tal projeto foi apresentado para lideranças empresariais em Chapecó. Em qualquer das situações, conforme registros do Centro Empresarial de Chapecó (CEC) há um fato em comum: ocorrem eleições no Estado e no município, entra governo, sai governo, são feitas cobranças para o município e o governo do Estado, via Casan, mas o projeto não sai do papel. De jeito nenhum.

Em função da falta de solução, seja por nova adutora, melhorias na captação do Lajeado São José ou qualquer que seja a possibilidade, é intenção da entidade tratar desse assunto em nível de urgência com o futuro prefeito e a direção da Casan. Para o Centro Empresarial, como a obra da macroadutora já se estende por 10 anos, deve ser avaliada uma alterativa mais rápida e de menor custo. Seu presidente, Cidnei Luiz Barozzi, avalia que a mais indicada é a captação de água no lago da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, com a construção de uma extensão de aproximadamente nove quilômetros desde a barragem do rio Tigre, em Guatambú, e cujo custo é estimado na faixa de R$ 16 milhões. 

Projeto de uma década

Conforme dados da Casan informados ao Centro Empresarial, em março de 2010 saiu o estudo de alternativas de abastecimento para Chapecó, que originou o chamado Projeto da Macroadutora do Rio Chapecozinho, concluído em setembro de 2013. Inclui estudos socioeconômico, hidrológico e anteprojeto e envolve a captação no município de Bom Jesus e rede para servir também as cidades de Xanxerê, Xaxim e Cordilheira Alta. As outras alternativas de captação eram os rios Chapecó, Irani e Uruguai, não utilizadas em vista da relação técnico/econômica para melhor abranger quatro cidades, segundo a Casan, com projeção do estudo populacional até 2035 para 447 mil habitantes.

A apresentação do projeto foi feita para lideranças empresariais em 9 de novembro de 2015, pelo então presidente da Casan, Valter Galina, que também fez nova apresentação em 30 de novembro de 2017, já devido ao atraso. Em ofício de resposta ao CEC em fevereiro deste ano, a diretora-presidente da Casan, Roberta Maas dos Anjos, informou da dependência de liberação de 80% dos recursos no orçamento da União, pelo Ministério da Economia, com os restantes 20% de contrapartida da Casan/Governo do Estado. Para implantar os 57 quilômetros da macroadutora e todas as demais instalações, o investimento previsto soma R$ 193,6 milhões, com prazo de construção de 36 meses.

Nova concorrência realizada

Além da falta de liberação de recursos, a própria presidência da Casan informou que os atrasos também se devem a demandas judiciais que ocorreram na primeira concorrência pública. Lançada em 30 de outubro de 2015, essa concorrência foi revogada em agosto de 2016, após questionamentos das empresas desclassificadas no certame.

Em função da revogação, em dezembro de 2016 foi aberto pregão presencial para aquisição dos 57 quilômetros de tubulações em aço para a adutora, vencido pela empresa Centerval. Já em junho de 2018 foi aberta concorrência pública para contratação das obras civis da estação de tratamento de água, reservatórios e dos 57 quilômetros da adutora, vencida pelo Consórcio Cosatel-Etesco-Enfil.