Por: Jornal Sul Brasil | 08/09/2020

 Uma proposta de protocolo específico para o retorno das aulas presenciais em Chapecó foi elaborada pelas escolas de ensino privado do município, junto com o Conselho Municipal de Educação, e entregue à Prefeitura na última semana. Acompanhando os rumos da situação relacionada à pandemia da covid-19, as instituições passaram a se reunir, desde julho, com o objetivo de dialogar para encontrar alternativas e contribuir com o cenário atual. A proposta apresentada está alinhada com as orientações dos órgãos de saúde municipais, estaduais, federais e internacionais.

 A coordenadora de Educação Básica na Regional Oeste do SESI SENAI, Juliana Golfe, que orientou as atividades, explica que, para a elaboração do protocolo, foram consideradas cinco diretrizes: sanitária, pedagógica, gestão de pessoas, de transporte e de alimentação escolar. “A sugestão para elaborar esse documento veio do prefeito no início do movimento das escolas particulares. Estudamos diversos protocolos existentes para nos fundamentar. Um guia importante foi o Protocolo Corona, desenvolvido pela FIESC e que ajuda a traçar um plano de ação para reduzir a propagação da doença. Criamos um grupo de trabalho e elaboramos esse documento, pensando em todos os segmentos da educação básica, não apenas para as escolas particulares, mas também com um olhar voltado para o ensino público, para que o retorno às atividades presenciais, envolvendo o corpo docente e discente, possa ocorrer gradativamente, de forma segura e responsável”.

Entre as diretrizes pedagógicas apresentadas na proposta, está o respeito a todos os cuidados exigidos. O retorno deverá ser gradativo, com número reduzido de alunos em sala de aula e revezamento de dias da semana, com um dia para a devida sanitização dos espaços. Também estão previstas capacitações e formação dos profissionais envolvidos e orientação às famílias e estudantes acerca do protocolo. “O escalonamento contribui para que a vivência de cada dia/semana, iniciando com os estudantes mais velhos, possibilite corrigir possíveis percalços que venham a surgir antes de acolher os estudantes menores, que exigirão uma maior atenção e período de adaptação, dado o tempo prolongado em que estiveram afastados dos espaços educativos”, explica Juliana.

 Juliana assinala que o retorno das aulas presenciais é importante para que as crianças, adolescentes e jovens voltem ao convívio social. “Os meios digitais que estão sendo utilizados pelas instituições de ensino são eficientes pedagogicamente, mas o retorno presencial é uma forma de reorganizar a rotina das crianças, adolescentes e familiares a partir do novo normal que passa a se configurar, bem como de voltar ao convício social tão importante para a vida em comunidade e o bem-estar social e emocional”. Ela acrescenta que as atividades presenciais não descartam o trabalho remoto. “Acreditamos que o ensino híbrido já é uma tendência e contribuirá muito com o trabalho realizado pelas escolas”.

Momentos para capacitação

Além da elaboração da proposta de protocolo, os profissionais da educação da rede de ensino privado organizaram momentos formativos que ocorrem uma vez por semana, também acompanhados pelo Conselho Municipal de Educação de Chapecó. “Muitas escolas particulares não estavam tendo nenhum tipo de amparo e orientação. Por isso, consideramos importante fazer esses encontros que continuarão acontecendo como forma de nos ampararmos umas às outras”, frisa Juliana.

Nos encontros, já foram abordados o Protocolo Corona da FIESC e gestão em tempos de pandemia, tema abordado pelo gerente executivo do SESI/SENAI nas regionais Oeste e Extremo Oeste, Geferson Luiz dos Santos. A preocupação com o retorno e o impacto da volta sem planejamento foram abordados pelo Ministério Público. Nesse sentido, também foi feito um encontro com pediatras que explanaram sobre a necessidade de ter regras seguras para o retorno e que é necessário avaliar o momento certo. “Esses encontros contribuem com orientações e informações para avaliarmos os impactos que o retorno às atividades presenciais nas escolas pode causar”, frisa Juliana. Também foi feita uma formação com o professor Gabriel Junqueira, educador referência principalmente em educação infantil, que abordou a questão da família e da escola nesse tempo de pandemia. No próximo encontro formativo será feita a leitura do protocolo.

 As instituições agora aguardam um retorno da Prefeitura. “Se for validado, poderemos começar a pensar no retorno das aulas presenciais em Chapecó, desde que as escolas sigam as regras. Protocolos como esse precisam existir e não havia um para a educação. A FIESC está à disposição para contribuir com o que for necessário”, finaliza Juliana.