Por: Jornal Sul Brasil | 22/11/2020

Uma foto, um tanto quanto inusitada, tem circulado nas redes sociais. Um urubu foi encontrado pousado no vaso sanitário de um banheiro localizado no bloco R3, da Unochapecó. O animal, que é da espécie urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) é muito comum na nossa região, tanto que é fácil ver ele sobrevoando a área urbana de Chapecó. Há diversos relatos dele pousando nas casas e prédios, inclusive nas sacadas, e até mesmo fazendo ninhos em prédios.

Apesar de ser fácil avistar um animal como este em Chapecó, a professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade, Eliara Solange Müller, explica que o motivo dele ter sido encontrado no local onde a foto foi tirada é difícil de saber. “Ainda é difícil explicar. Ele não está conseguindo voar, pode estar machucado e por isso buscou se abrigar. Ele está comigo aqui em casa, vou deixar ele descansar e depois avaliar a necessidade de atendimento veterinário. Outras hipóteses são: ele pode ter sido atraído por algum odor, estar procurando lugar para reproduzir ou simplesmente pousou no interior do prédio para descansar e se ‘perdeu’, indo parar no banheiro e não conseguindo mais sair do prédio”.

Para se ter uma ideia, este urubu se caracteriza por ser preto com uma faixa branca no final de cada asa. Possui entre 56 e 76 centímetros de comprimento e 143 centímetros de envergadura (abertura das asas). As fêmeas são maiores, pesando em torno de 1,900 Kg, já os machos pesam em torno de 1,200 kg. “São detritívoros, ou seja, se alimentam de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição. Nas áreas urbanas e rurais, buscam restos de comida e partes de animais domésticos abatidos. Os urubus são muito importantes. Eles ajudam no controle ecológico e sanitário dos ambientes, eliminando 95% das carcaças do ambiente. Sem o serviço deles, as carcaças poderiam demorar até quatro vezes mais para se decomporem, o que aumentaria muito os riscos à saúde de todos”, explica a professora.

Eliara relata, ainda, que eles se acostumam facilmente com a presença humana, podendo ficar junto com galinhas e outras aves domésticas. “Ele é comum em todo o Brasil, nas cidades, fazendas e áreas abertas, mas não nas áreas bem florestadas. Sua distribuição geográfica é da região Central dos Estados Unidos até praticamente toda a América do Sul. Em dias muito quentes tem o hábito de pousar nas margens de rios e lagoas para beber água e resfriar as pernas. Também, para se refrescar, a ave abre as asas, distende ou retrae o pescoço e a cabeça e excreta a urina e as fezes sobre as pernas”.

Sobre o resgate do animal, ele foi feito com a supervisão de uma técnica, que também é bióloga, de um laboratório do curso de Ciências Biológicas. A professora conta que o correto, nesses casos, é sempre devolver para a natureza, porém, é importante avaliar se o animal está bem. “Se sim, a primeira opção é a soltura no ambiente imediatamente. Quanto menos contato com o ser humano melhor. Se ele estiver com algum problema de saúde, machucado ou não conseguir voar, é importante encaminhar para algum atendimento. É o que estamos fazendo”.

Por fim, o fato inusitado, que chamou tanta atenção, seja pelo animal em questão, ou pelo local em que foi encontrado, é importante para desmistificar boatos sobre a ave. “Os urubus não transmitem doenças! Respeite a vida deles. Caso apareçam nas suas residências, aproveite para admirar, conhecer os detalhes e investigue se não há nenhum resíduo/carcaça atraindo eles (pode ser em terrenos vizinhos). Caso não se sinta seguro com o animal, você pode espantar ele (sem machucar). Ainda, se tiver dúvidas, busque a orientação de um biólogo”, completa a professora, que deixa um último recado: “olhe para o céu e aprecie esta e outras espécies de aves voando e planando”.

Texto Gabriel Kreutz

*Jornalista – Setor de Marketing e Comunicação Unochapecó