Por: Jornal Sul Brasil | 08/10/2020

Chapecó, 1917. O território era essencialmente rural quando os primeiros desbravadores chegaram para construir o município que completou 103 anos de história em 2020, marcados pelo desenvolvimento regional. Os primeiros comércios se confundiam com moradias, ambos de madeira, alocados em ruas de terra que seriam traçadas só a partir de 1930. O trecho que se transformou na principal Avenida da cidade, Getúlio Vargas, era ocupado pela pequena população urbana de apenas 2.633 habitantes, em 1950, os quais dividiam espaço com carroças, bois e cavalos.

Quem olha para a cidade hoje não consegue reconhecer o cenário de um século atrás. Já são mais de 220 mil habitantes, mais de 25 mil empresas, 5 mil comércios, 11,5 mil microempreendedores individuais e mais de 80 mil empregos formais. O município que era essencialmente agrícola se tornou a capital do agronegócio, o principal destino estadual de feiras e eventos, o maior exportador do Estado e a 5ª maior cidade de Santa Catarina, com o 6º melhor PIB catarinense (R$ 8,9 bilhões).

A força econômica de Chapecó, que apresenta taxa média de crescimento de 7% ao ano, acima da média estadual de 6,6%, concentra 67% do movimento no setor terciário, 30,8% no secundário e 2,2% no primário. O setor de prestação de serviços é o que mais emprega no município (41,8%) seguido pela indústria com 33,5% e pelo comércio com 25% dos empregos de carteira assinada. Os três também concentram a maior fatia do PIB municipal — 23,5% indústria, 15,1% comércio e 35,9% prestação de serviços — com potencial de consumo de R$ 7,1 bilhões, 7º maior mercado consumidor catarinense.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Chapecó, Clóvis Afonso Spohr, os números mostram que o setor econômico responde pelo progresso local e desencadeia o desenvolvimento dos demais indicadores municipais.

“É essa força que nos coloca hoje como referência na educação, na agroindústria, na saúde, no turismo de negócios, no comércio, na inovação e na tecnologia. Ao olharmos para trás, percebemos que progredimos muito, contamos hoje com todos os segmentos fortemente representados e não precisamos sair de Chapecó para buscarmos qualquer serviço. Quando olhamos para frente, porém, vemos novos desafios que já não são de cidade pequena, mas de grandes centros”, analisa.

Quais são os desafios

Para a CDL de Chapecó, o comércio reflete as ações públicas aplicadas nos demais setores do município. “O comércio é a consequência. Infraestrutura, logística, estradas, mobilidade, acessibilidade, empregos, tudo reflete no setor, que funciona como um medidor do desenvolvimento”, afirma o diretor executivo Jeancarlo Zuanazzi. Ele defende a implantação de uma política de desenvolvimento econômico mais bem definida, com metas a curto, médio e longo prazos para atrair novos investidores e assegurar maior planejamento ao setor no município. “Deve ser uma estratégia pública, uma política de Estado, não um mero plano de governo”, observa.

Neste cenário, o presidente Clóvis Spohr afirma que a segurança, a limpeza e a iluminação públicas, além da mobilidade urbana e da manutenção da qualidade dos serviços ofertados na saúde e na educação no município, são essenciais para o fortalecimento do comércio e da economia local. “Evitar o acúmulo de lixo nas ruas causado nos finais de semana, disciplinar o uso das calçadas pelos bares, restaurantes e lanchonetes e construir um novo terminar urbano para transporte público, com mais locais para embarques e desembarques na cidade são ações importantes para o setor”, aponta.

O vice-presidente Gilberto João Badalotti e o diretor conselheiro José Carlos Benini também citam a construção de um novo parque de exposições para feira e eventos, ampliação do Aeroporto e a desburocratização no processo de abertura de empresas como essenciais para o desenvolvimento econômico. “O Parque da Efapi já está ultrapassado e o município precisa de uma nova estrutura que acompanhe seu status de capital de negócios. Somos referência em feiras e eventos e também precisamos de um Aeroporto que atenda a demanda”, ressalta Benini. “A morosidade e a burocratização para abrir novas empresas no município hoje são um entrave para a geração de empregos. É fundamental que o processo seja mais ágil e menos burocrático”, analisa Badalotti.

Como principais necessidades específicas, a entidade cobra maior fiscalização do comércio irregular de ambulantes, combate à venda de produtos falsificados e o fortalecimento do comércio nos bairros, com incentivos à abertura de empresas locais para maior descentralização econômica.

“O melhor investimento de qualquer agente público é em ações que promovam mais gestão e menos política”, grifa o presidente da CDL.