Por: Jornal Sul Brasil | 02/10/2020

A tecnologia e a automatização de processos para ganhar produtividade está presente em todos os setores. Com a quarta revolução industrial, a integração de sistemas, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), sistemas em nuvem, entre outros, estão cada vez mais presentes nas empresas. Na contabilidade não é diferente. Para abordar o tema, o Sindicato dos Contabilistas de Chapecó (Sindicont), por meio do Núcleo de Estudos Contábeis Chapecó (NECC), promoveu, nesta semana, live com sobre o “Transformação digital nas empresas contábeis e o papel do contador”, com a empreendedora contábil, consultora e palestrante Lucia Garcês, sócia e fundadora da Diretrizes Inteligência Contábil, SeeS Contabilidade Online e Contadores Digitais.

De acordo com Lucia, a transformação digital é uma jornada. “Não tem início, meio e fim, é um processo”. Para sua implantação em empresas contábeis, o primeiro passo é eliminar o papel e os arquivos físicos, digitalizando tudo. Para isso, a tecnologia é um dos pilares, pois modifica o trabalho no dia a dia. “Porém, o principal aspecto dessa transformação não é tecnológico, é humano. Primeiro é preciso mudar a mentalidade da equipe, se isso não acontecer, mesmo com avançados equipamentos e ferramentas tecnológicas, a empresa continuará sendo analógica. É necessário criar uma cultura digital”, realçou Lucia.

As tecnologias da quarta revolução industrial fazem parte do dia a dia. Exemplos são a utilização de smartphones, Waze, Netflix, Uber, Nubank e outros. “Já somos cidadãos e consumidores digitais. Temos assinatura digital, CPF, CNH e carteira de trabalho digitais”, assinalou a palestrante. Na contabilidade, exemplos são o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e o eSocial.

Lucia frisou que vivemos a era dos dados em nuvem. Entretanto, muitas empresas contábeis ainda fazem o trabalho de maneira analógica. “Os dados estão na nuvem, o cliente tira de lá, imprime, leva para o contador, no escritório acontece a digitação do documento e o profissional manda para a nuvem novamente. Nesse processo, podem ocorrer inconsistências de dados”, alerta, acrescentando que existem plataformas que integram os sistemas das empresas, possibilitando fazer todo o procedimento de maneira digital. Com isso, elimina-se os arquivos físicos dos escritórios. “Além de ocupar muito espaço, os documentos em formato físico podem ser perdidos em acidentes como enchentes e queimadas ou mesmo serem prejudicados por ratos. Com a Lei Geral de Proteção de Dados, é mais seguro manter os documentos digitalizados”.

Com a integração e importação de dados, o trabalho do contador é otimizado e a empresa se torna mais competitiva. “As tecnologias estão no mercado, basta saber usá-las”, apontou Lucia. Além disso, o trabalho do contador muda. “Com a transformação digital, passamos a entregar valor para o cliente, não apenas balanços. O contador precisa ser o suporte para que a empresa tome as decisões certas, cresça e tenha sucesso. Podemos fazer isso porque temos todos os dados da empresa, conhecemos o negócio, sabemos identificar onde estão os pontos que precisam ser melhorados”, conclui Lucia.

A contadora Alessandra Bazzi, da Bazzi Assessoria, participou da live e avaliou positivamente. “As considerações apresentadas pela palestrante foram muito importantes. É uma quebra de paradigma e depende de nós encararmos de frente para evoluir”. Para a diretora do Sindicont, Elaine Tomasi, a palestra foi produtiva e apresentou novos conceitos. “O tema é atual e a palestrante trouxe novos aspectos que precisam ser avaliados diariamente”, comentou.

O coordenador do NECC e vice-presidente do Sindicont, Everton Alberto Bortolotto, reforçou que o Sindicato busca oferecer encontros com temas atuais e relevantes para a classe contábil. “A evolução profissional no nosso setor é fundamental. Com esses eventos, possibilitamos que os profissionais possam esclarecer dúvidas e se manter atualizados”.