Por: Jornal Sul Brasil | 22/07/2020

Professores e estudantes da UFFS (Campus Chapecó) estão envolvidos na pesquisa “Investigação de marcadores neuroinflamatórios e de dano neuronal e suas relações com transtornos neuropsiquiátricos em sujeitos positivos para Covid-19”. O trabalho científico é uma parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense – (UNESC, em Criciúma).

Trata-se de um projeto multicêntrico coordenado pela Professora Gislaine Zilli Réus do Laboratório de Psiquiatria Translacional da UNESC. O projeto foi selecionado e conta com fomento do CNPq, através da Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit No 07/2020 – Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves.

A coordenação da equipe na UFFS – Campus Chapecó é da professora Zuleide Maria Ignácio, do Curso de Enfermagem, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas (PPGCB) e coordenadora da Liga Acadêmica de Neurociências (LANEU), com o apoio mais próximo das professoras Gabriela Gonçalves de Oliveira e Margarete Dulce Bagatini, dos cursos de Enfermagem e Medicina e também do PPGCB. Também fazem parte da pesquisa, os professores Marcela Martins Furlan de Leo e Anderson Funai, do Curso de Enfermagem, área de Saúde Mental e também integrantes da LANEU; Grasiela Marcon, Psiquiatra e Professora do Curso de Medicina e integrante da LANEU; Jorge Luiz Garcia Ferrabone, Neurologista e Neurocirurgião, Professor do Curso de Medicina e vice-coordenador da LANEU.

Também participarão do projeto alguns estudantes de Iniciação Científica dos cursos de Medicina e Enfermagem, da LANEU e também do mestrado do PPGCB da UFFS. Além da UNESC e da UFFS – Campus Chapecó, estão envolvidas no estudo, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus Araranguá, The University of Texas Health Science at Houston (Estados Unidos) e McGill University e McMaster University (Canadá).

As entrevistas e coletas de materiais biológicos ocorrerão em três etapas, em Chapecó e Criciúma: A primeira etapa ocorrerá entre 4 a 6 semanas após a infecção; A segunda, entre 24 a 26 semanas e a terceira entre 52 a 54 semanas. Em Chapecó, o número pode chegar a 600 pessoas pesquisadas.

Conforme a professora Zuleide, serão utilizados inventários e escalas padronizados e que já são validados em pesquisas internacionais e nacionais para investigar sintomas de estresse, transtornos depressivos e de ansiedade, qualidade do sono e avaliação cognitiva. No momento das entrevistas em todas as etapas, serão coletadas amostras biológicas para as análises de marcadores biológicos.

As análises biológicas serão realizadas nos laboratórios da UFFS, UNESC e das Universidades do Texas (EUA) e do Canadá.

Serão analisados marcadores biológicos que possam ser alvos do SARS-CoV-2 ou envolvidos com a doença e que possam alterar a saúde mental dos pacientes, causando alterações neurais e transtornos psiquiátricos. Segundo a professora Margarete, marcadores como estresse oxidativo, inflamatórios e relação intestino-cérebro entram no escopo das investigações.

A professora Margarete explica que a entrada do SARS-COV-2 nas células gera a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS). A SARS leva o indivíduo a precisar de uma UTI, porque o vírus promove uma inflamação muito grave nos alvéolos pulmonares e em vários sistemas e órgãos (como coração, no sistema nervoso central, por exemplo) do corpo. “Vamos dosar citocinas inflamatórias, entre outros marcadores, e poderemos dizer se esses indivíduos que tiveram infecção por SARS-COV2, mesmo depois desse período de infecção, permanecem ou não com os marcadores elevados. Isso dará respostas a perguntas como: temos que continuar tratando, precisaremos seguir com medicamentos para diminuir o processo inflamatório, temos que ter um cuidado porque esse indivíduo pode vir a desenvolver outra doença? Então são várias perguntas que ainda não temos respostas”, destaca.

Outra face do estudo será uma comparação sobre a saúde mental e diferenças genéticas entre os pacientes que apresentaram sintomas mais graves, com aqueles que tiveram sintomas mais leves.

“Nenhum estudo ainda confirmou que o vírus entra diretamente no cérebro. Mas há pesquisas que demonstram que ele causa inflamação, inclusive grave, no sistema nervoso e que pode causar algumas sequelas e transtornos psiquiátricos”, ressalta a professora Zuleide.